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sexta-feira, 2 de março de 2012
Entrevista ao vivo sobre o DOC Memória de Pedra na TV
Trabalho de divulgação do DOC Memória de Pedra: sempre o cuidado de manter acesa a discussão sobre o patrimônio arqueológico pré-colonial maranhense e o pedido de apoio para fazer a distribuição do filme.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Exibição e debate do documentário "Memória de Pedra"
Às vésperas das comemorações dos 400 anos de fundação da cidade de São Luís pelos franceses faz-se necessário uma reflexão sobre o passado ancestral dos primeiros habitantes, anteriores aos índios encontrados pelos europeus, denominados na literatura arqueológica pré-histórica de paleoíndios.
Estes primeiros habitantes da Ilha chegaram seguindo curso de rios, na busca de alimentos, seja de caça, coleta ou pesca. Por milhares de anos, ocuparam o que viria a ser o Maranhão. Devido ao trabalho minucioso de profissionais da Arqueologia e História é possível reconstruir parte deste acervo a partir de artefatos de pedra, utensílios de cerâmica e restos do que um dia foi moradia desses seres humanos, como por exemplo, os sambaquis.
Infelizmente, a maior parte dessa história encontra-se enterrada no subsolo por falta de pesquisa, sendo ignorado por moradores que encontram este tipo de material e o descartam e principalmente, sem ações adequadas do Poder Público.
Neste sentido, o documentário em sua ampla capacidade de registrar experiências da realidade com liberdade e particularidades narrativas pode servir como elemento de sensibilização da sociedade na preservação do acervo pré-colonial da Ilha de São Luís, no sentido de conhecer e valorizar a “memória de pedra”, a saber, memória arqueológica pré-histórica.
Sobre o autor:
Marcus Saldanha é professor de História e jornalista. Escreve no blog Marcushistorico temas ligados a viagem e cultura. Nasceu em Brasília, mas desde criança mora em São Luís. Apaixonado por viagens percorreu mais de 160 cidades do Maranhão para escrever seu primeiro livro: “História do Maranhão” lançado em 2003 por uma editora maranhense. Agora apresenta seu primeiro filme: Memória de Pedra.
O autor fala sobre o filme:
“O MEMÓRIA DE PEDRA é um filme que aborda a questão do Patrimônio Arqueológico Pré-Colonial da Ilha de São Luís - é o primeiro filme que faço e fecha um ciclo de dez anos discutindo e estudando o tema: desde a defesa da monografia de graduação no Curso de História, quando escrevi "Uma Sistematização dos estudos sobre a arqueologia Pré-Histórica no Maranhão".
A ideia incial era documentar o acervo pré-colonial maranhense, mas por falta de recursos, circunscrevi o filme a Ilha de São Luís. Pretende-se aproveitar o gancho das celebrações dos 400 anos de São Luís onde deve se falar muito do patrimônio colonial, mas puxando a discussão sobre memória, identidade e patrimônio a partir do conhecimento e valorização do acervo arqueológico pré-colonial existente na Ilha, nem sempre respeitado e preservado.
O filme conta com depoimentos do antropólogo e prof. da UFMA, Alexandre Fernandes Corrêa; do arqueólogo e diretor do centro de Arqueologia, Desusdédit Leite, e sua esposa Eliane Leite, responsável pelo setor de Educação patrimonial do museu; do jornalista e poeta Paulo Melo Sousa; Kátia Bogéa, Superitendente do IPHAN-MA e moradores de áreas próximas aos sambaquis da Ilha de São Luís.
O DOC de aproximadamente 40 minutos, pretende fazer as pessoas olharem para o chão da memória empedrada pelo tempo, pelo cotidiano e pela constante negação. Fazer uma reflexão sobre o passado e reconhecer-se no machado de pedra (pedra de raio, pedra de corisco), seu eu ancestral, muito anterior aos 400".
Informações Técnicas
Filme: documentário
Tempo: aproximadamente 40 minutos
Roteiro e Direção: Marcus Saldanha
Produção: Marcus Saldanha e Jacelena Dourado
Fotografia: Rafael Pinheiro
Edição: Wesley Costa
Trilha Sonora Original: Luís Fernando Soares
Participação Especial: Celso Borges (poemas inéditos)
Apoio: Faculdade São Luís
SERVIÇO
Exibição seguida de debate do documentário "Memória de Pedra"
Papoético: Chico Discos (Rua de São João, esquina com rua dos afogados, 389 – A, Altos do banco Bomsucesso).
05 de janeiro de 2012
A partir das 19 hs
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Memória de Pedra - O roteiro
Assim surgiu o roteiro do documentário Memória de Pedra - no quadro magnético da Faculdade São Luís. O assunto já estava há anos na cabeça, mas era preciso organizá-lo para as filmagens. Utilizei uma técnica pedagógica que havia aprendido em um curso do Pueri Domus em São Paulo chamada de Mapa Conceitual, onde as ideias são interligadas, encadeadas numa sequencia conceitual.
A colega e parceira na produção do documentário, no alto de seus vinte e poucos anos estava ali para garantir que o professor aqui não fizesse um roteiro com cara de aula. Mas o fato é que em poucos minutos o quadro já estava todo tomado (foto). Tínhamos então um roteiro antes das primeiras filmagens. Francisco Colombo aprovou, tá aprovado.
É verdade quando dizem que uma câmara na mão e uma boa ideia na cabeça é tudo para um filme.Mas se você não é um gênio como Glauber Rocha e dispõe de pouco tempo para editar, é melhor tem um roteiro básico para seguir nas filmagens. ajuda muito a focar na captação de imagens e entrevistas. Fizemos, então o que pode se chamar de meio termo. Mas sei que um roteiro mas detalhado terá que ser feito para edição. É como digo: ele já está na cabeça! Está vindo!
Descobri um site muito interessante sobre roteiros, acho que a dica foi da Michelline Helena (Fortaleza), quando fiz a oficina de produção de roteiros com ela no Guarnicê de 2009 na própria Faculdade São Luís. Li vários, em especial, o famoso Ilha das Flores. Confesso que fiquei mais tranquilo quando descobri que quase todos os filmes partiam de um primeiro roteiro, muito diferente do que terminavam - havia então uma versão oficial, feita geralmente após a gravação de tudo. Tropa de Elite não foi assim! Capitão Nascimento não era principal até que alguém sacou que ele era o cara do filme, embora aparecesse em poucos minutos. Não teve jeito, chama o ator de novo e pede para ele gravar o áudio. Eis que o Capitão Nascimento vira o narrador e protagonista. Bingo!
Memória de Pedra já evoluiu bastante, depois de várias entrevistas desmarcadas esta semana, partimos hoje a tarde para gravar cenas externas de áreas que deveriam estar protegidas e viraram prédios públicos ou privados. Vamos registrar algumas obras públicas para caracterizar o crescimento "desordenado" da cidade ou a tentativa caótica de ordenar. Na segunda-feira mais uma sequencia de entrevistas.
Cá estou eu novamente com o braço imobilizado por conta de um jogo de futebol. Serão mais 10 dias. Agora fica mais difícil carregar o pesado equipamento de filmagem e/ou digitar textos como este. Mas não posso reclamar quando tudo vai bem. Não tenho dúvida do acerto que foi a escolha da equipe: Rafael Pirata, Jacelena Dourado, Wesley (edição), Francisco Colombo (orientação/assessoria/motivação)...e cada vez chegando mais: Luís Alfredo topou fazer a trilha sonora (agora só falta o estúdio) e a dupla Ted Magalhães e André Sioux já estão montando as cenas de animação. Vamo que vamo! "Nós somos fogo, nós somos fogo, nós somos fogo e gasolina".
Eis o link do site que disponibiliza os roteiros de documentários, incluiindo o clássico Ilha das Flores:
http://www.roteirodecinema.com.br/roteiros/documentarios.htm
terça-feira, 16 de novembro de 2010
VII Semana Interdisciplinar na São Luís

Dia 18, das 19 às 22 hs ministro a Oficina: Leitura e Escrita em Blogs na programação da VII Semana de Interdisciplinaridade da Faculdade São Luís. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas com 2 kg de alimentos não perecíveis na Central de Atendimento da Faculdade. Na oficina faremos um breve histórico do blog, discussão sobre mídias sociais e cultura digital e partiremos para a prática no laboratório de Informática com criação de blogs e produção de textos. participem!
Mais informações:
Faculdade São Luís - Rua Grande, 1455 (Centro)
Tel: 3214-6400
Papo sobre Blogs na FELIS 2010
Muito bacana participar novamente da Feira do Livro de São Luís. A palestra Leitura e Escrita em Blogs foi um relato de experiências que fiz a partir do Blog Marcus Historico e dos estudos sobre cultura digital. Muito pertinente as discussões sobre e-books e leitura digital. Parabéns a todo equipe da organização da FELIS 2010 (na real e virtual). Gostei muito do espaço (mas quem me conhece já sabia que não faria a palestra sentado no confortável sofá à disposição). Apesar da febre e mal estar, curti muito a palestra que fiz da forma mais informal possível. Foi o que esperava: família, alunos, ex-alunos, amigos e visitantes da FELIS 2010 capturados pelos monitores. Valeu, segue a programação que eu tô dentro!
Clique aqui e veja mais fotos
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Leitura e Escrita m Blogs: Diário de um Escritor
Estou na programação da 4a Feira do Livro de São Luís discutindo a pauta: Leitura e Escrita em Blogs - Diário de um Escritor. Caros leitores, não parece, mas ainda é grande o número de pessoas que ainda não dominam a leitura e escrita em blogs.
Durante a Feira teremos uma hora para discutir o surgimento dos blogs, hipertextos e a relação leitor-escritor partindo da premissa que o blogueiro é um escritor e do relato de experiência no Blog Marcus Historico.
Como todos já sabem, Marcus Saldanha é escritor do Blog Marcus Historico, historiador, jornalista, autor do livro História do Maranhão e viajante compulsivo. Já discutiu o temática de blogs na 3a Feira do Livro de São Luís e III Fórum de Jornalismo da Faculdade São Luís.
Serviço:
Palestra: Leitura e Escrita em Blogs: Diário de um Escritor
Dia 13 de novembro (Sábado) às 19 hs
Pça. Maria Aragão (4a feira do Livro de São Luís)
Durante a Feira teremos uma hora para discutir o surgimento dos blogs, hipertextos e a relação leitor-escritor partindo da premissa que o blogueiro é um escritor e do relato de experiência no Blog Marcus Historico.
Como todos já sabem, Marcus Saldanha é escritor do Blog Marcus Historico, historiador, jornalista, autor do livro História do Maranhão e viajante compulsivo. Já discutiu o temática de blogs na 3a Feira do Livro de São Luís e III Fórum de Jornalismo da Faculdade São Luís.
Serviço:
Palestra: Leitura e Escrita em Blogs: Diário de um Escritor
Dia 13 de novembro (Sábado) às 19 hs
Pça. Maria Aragão (4a feira do Livro de São Luís)
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Um Passeio Pela Pré-História Maranhense
Vocês já ouviram falar em Estearias, Sambaquis ou pinturas e gravuras rupestres? Sabem como é feita a datação de achados arqueológicos? Sabiam que há vestígios da presença humana no Maranhão de 9 mil anos? E que é crime comprar ou vender qualquer utensílio de valor arqueológico?
Questões como essas serão discutidas por uma turma de alunos do primeiro ano do Ensino Médio do Colégio Santa Teresa durante a 30 Mostra Científica no dia 29 de outubro, das 9 às 15 hs.
O trabalho de pesquisa e montagem de uma sala/cenário representando a arqueologia pré-histórica maranhense está sendo desenvolvido pelos alunos sob orientação do professor Marcus Saldanha e em parceria com o Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão.
O trabalho de pesquisa e montagem de uma sala/cenário representando a arqueologia pré-histórica maranhense está sendo desenvolvido pelos alunos sob orientação do professor Marcus Saldanha e em parceria com o Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão.
Para a Mostra Científica serão apresentadas cinco seções: Estearias (sítios arqueológicos pré-históricos do tipo palafita identificados em Penalva, Pinheiro e São Vicente Férrer); Sambaquis (os "empilhadores de conchas", como eram denominados pelos Tupis, esses grupos de pescadores e coletores que habitavam regiões litorâneas); arte rupestre (encontradas em Carolina, Riachão, São Domingos do Maranhão, São João do Sóter e Grajaú; técnicas de escavação e datação arqueológica e um escritório de mobilização de defesa do patrimônio arqueológico maranhense.
Durante as pesquisas os alunos tiveram uma aula de campo no Sambaqui do Itapari, em Panaquatira com o arqueólogo do Museu de Arqueologia, Deusdédith Leite, que ressaltou a importância arqueológica e histórica daquele lugar e as intrusões humanas. "Estão retirando terra preta para jardinagem daqui. Além disso, há uma invasão se aproximando do local. Em pouco tempo, se a área não for certificado como de preservação arqueológica, será destruída", ressaltou o arqueólogo.
Para os alunos a ideia de sensibilizar as pessoas sobre a existência de vestígios da cultura material pré-histórica maranhense não será uma tarefa fácil, já que os termos técnicos da arqueologia e a leitura de leis ambientais e patrimoniais são maçantes para adolescentes na faixa de quinze anos de idade. Mas acima de todas essas dificuldades, eles parecem ter vestido a camisa da luta em defesa do Patrimônio Arqueológico: valorizar, respeitar e preservar!
Durante as pesquisas os alunos tiveram uma aula de campo no Sambaqui do Itapari, em Panaquatira com o arqueólogo do Museu de Arqueologia, Deusdédith Leite, que ressaltou a importância arqueológica e histórica daquele lugar e as intrusões humanas. "Estão retirando terra preta para jardinagem daqui. Além disso, há uma invasão se aproximando do local. Em pouco tempo, se a área não for certificado como de preservação arqueológica, será destruída", ressaltou o arqueólogo.
Para os alunos a ideia de sensibilizar as pessoas sobre a existência de vestígios da cultura material pré-histórica maranhense não será uma tarefa fácil, já que os termos técnicos da arqueologia e a leitura de leis ambientais e patrimoniais são maçantes para adolescentes na faixa de quinze anos de idade. Mas acima de todas essas dificuldades, eles parecem ter vestido a camisa da luta em defesa do Patrimônio Arqueológico: valorizar, respeitar e preservar!
Texto e foto: Marcus Saldanha
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Festival Maranhense de Poesia Falada
No livro acima estão publicados dois poemas meus finalistas nos Festivais de Poesia Falada da UFMA:
AUSÊNCIA
Há palavras espalhadas
pelos cômodos da velha casa
e no silêncio da alcova
teus gestos continuam insolúveis:
Sinto ausência do teu perfume
que mesmo sendo superficial
vai ao âmago de minha alma
e participa deste ar universal
invadindo até as soluções mais concentradas.
Ausência dos teus olhos
que tamanho brilhante possuído
no mundo
brilho maior não haveria.
Sinto ausência do teu corpo
que semelhante geologia
a eras recentes
é chama e tectonismo constante,
salvo os montes rijos, onipontentes
que nem ao mais forte abalo tremem
senão em minha boca.
E por fim, ausência do teu espírito
que é o próprio deus crescente
em toda paz para este mundo
profano e para esta mulher ímpar
que eu tanto amo.
(Marcus Saldanha. 11 Festival de Poesia Falada, 1997. UFMA - São Luís-MA)
PÔR-DO-SOL
O sol põe-se sob o rio.
A medida que mergulha,
os olhos fecham-se (os meus e os teus).
Como nem todo lugar tem luz artificial,
fica uma escuridão absoluta.
Daí em diante, fica difícil movimentar-se.
Então descobre-se que os sentidos nem sempre estão aguçados.
Acentua-se o medo, a solidão.
Leva tempo dominar os sentidos
ou pelo menos, alguns deles.
A única imagem na cabeça que se perpetua
está desfocada.
Então descobre-se que não prestou a atenção devida.
Quando o sol se põe,
tem-se a certeza que ele nascerá novamente.
Já o amor é incrivelmente incerto.
(Marcus Saldanha. 12 Ferstival de Poesia Falada, 1998. UFMA - São Luís-MA)
No primeiro poema feito muito antes da inscrição do concurso de 1997 percebo claramente a influência das leituras de Vinícius de Moraes. No segundo, uma homenagem ao pôr-do-sol mais marcante da minha vida, o descrito por Josué Montelo em Cais da Sagração.
A foto abaixo é da premiação de Urias de Oliveira como melhor interpréte de "Ausência" em 1997. Ele tembém foi vencedor com a interpretação de "Pôr-do-Sol" em 1998. Entreguei-lhe os poemas e deixei que ele criasse suas performances que me surpreenderam bastante. O escrito ganhava outra vida no corpo e fala do ator. Essas imagens devem estar disponíveis no acervo do Departamento dos Assuntos da UFMA.
As inscrições para o 23 Festival de Poesia Falada da UFMA estão abertas até 05 de novembro. A etapa eliminatória e final serão realizadas dentro da programação da 4 Feira do Livro de São Luís.
Mais informações e inscrições, acesse:
http://www.ufma.br/noticias/noticias.php?cod=9421
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Entrevista com Celso Borges
BLOG - Belle Epoque, o seu mais recente trabalho publicado, surge da intranquilidade do poeta-jornalista. A ideia já surgiu poemúsica?
CB -Meu processo de criação e elaboração do conceito de um livro é relativamente demorado. Dura de um a três anos, da primeira idéia até a execução do projeto, ainda mais quando ele envolve outras pessoas. Belle Époque é minha terceira experiência no formato livroCD, completamente diferente das duas primeiras: XXI (2000) e Música (2006). Decidi promover uma espécie de anti-diálogo entre o livro impresso e o disco, fazendo duas coisas opostas em vez de complementares: um livro com 50 poemas, vários deles longos, uma hemorragia de palavras e versos; e um CD, que dei o título de Quase, em que basicamente dialogo com o silêncio, uma forma de me calar depois de tantos poemas ‘vomitados’ no livro. O trabalho é também uma provocação àqueles que esperavam um novo CD com poemas musicados. Quis quebrar essa expectativa.
BLOG - Na Akademia dos Párias, grupo de artistas dos anos 80 em São Luís, você era chamado de “Santo Expedito”. Celso Borges faz juz ao apelido?
CB - Santo Expedito não é aquele das causas impossíveis? Talvez porque eu nunca desisti de fazer projetos, publicar livros, juntar pessoas em torno de uma idéia, de um trabalho, de estar sempre incentivando e acreditando na poesia como um combustível essencial pra vida.
BLOG - O "Prefácionão" de Belle Epoque foi escrito com muita competência pelo escritor e guitarrista maranhense Reuben Cunha. Nas apresentações ao vivo os textos convivem com as performances do DJ paulistano Otávio Rodrigues e projeções de fotos-imagens. Como é essa relação da poesia com guitarras, bateria, samplers e fotografia?
CB -Na verdade, minhas leituras de palco, nos projetos A Posição da Poesia É Oposição e no show Celso Borges e os Restos Inúteis, este último durante o lançamento do Belle Époque, têm pouco a ver com as performances que fiz junto com o DJ Otávio Rodrigues, no projeto Poesia Dub, em São Paulo. Neste, trabalhamos com trilhas prontas, acompanhados de baixo e percussão. Nos dois primeiros, o formato já é mais de banda com projeções de imagens no fundo do palco. Tenho uma relação muito profunda com a música, o cinema, a fotografia e também as artes plásticas. Misturar tudo num mesmo caldeirão é um desafio que me interessa bastante e cujo resultado me deixa muito feliz e pleno.
BLOG -Cultura Digital é um tema que te interessa?
CB - Eu me interesso pela cultural digital, mas confesso que ela me confunde um pouco, me atordoa. Tentarei me aproximar mais desse universo nos próximos anos, mas quero fazer isso com segurança e estabelecendo diálogos com pessoas que possam, de alguma forma, derrubar esses muros que nos separam.
BLOG - Belle Epoque é um trabalho do século XXI que ironiza a cidade de antigamente, "muito pior" você diz no poema A Saudade Tem Seus Dias Contados. Ainda vivemos os restos da Belle Epoque do século XIX? Que cidade é essa que vivemos?
CB - É claro que não vivemos mais na Belle Époque do século XIX. Felizmente. Não tenho dúvidas de que aquela era uma época pior em muitos aspectos. A idealização do passado é um erro grosseiro, que nos imobiliza. Mas é um desafio também descobrir, no mundo de hoje, com suas misérias sociais e existenciais, uma possibilidade de criação que nos motive a acreditar que realmente a saudade tem os seus dias contados.
BLOG - Você morou muitos anos em São Paulo e mesmo de volta a São Luís não abandona a ponte aérea. Zeca Baleiro, Rita Ribeiro, Alê Muniz e Luciana Simões, e muito antes, Ferreira Gullar e José Louzeiro também ganharam reconhecimento quando produziram fora da Ilha. O exílio é necessário para uma produção criativa de qualidade?
O exílio não é necessariamente imprescindível para uma criação de qualidade. Muita gente não consegue escrever ou criar nada longe do seu ninho. A minha vivência, de morar em outro lugar, foi muito estimulante. Qualquer movimento pra mim é combustível novo. O sair da rotina, viver outro espaço físico, com pessoas diferentes, é uma farol, um raio que me ilumina. Até mesmo porque ao ficar distante temos uma visão privilegiada do lugar de onde viemos. Além disso, São Paulo, onde vivi 20 anos, é uma cidade fascinante, tanto a sua complexidade física, urbana, quanto a sua diversidade cultural.
BLOG - A parceria com Zeca Baleiro já rendeu letras de canções, poemas e até um programa de rádio. É uma parceria de sucesso, não?
Discutamos então o conceito de sucesso. Com relação ao mercado, nenhum. Quase não ganho dinheiro com as minhas criações. É claro que eu gostaria de ganhar, mas isso nunca veio no primeiro plano. O sucesso como motor de tudo é quase sempre uma doença, o câncer da modernidade. Derruba 90% dos artistas, tanto os que querem obcecadamente fazer sucesso, como os que ao atingi-lo não conseguem dar mais um passo a frente, criativamente. Estão presos à rede da evidência, da super exposição, do status. Quero ficar longe disso. Prefiro dialogar com mil pessoas, que contribuam criticamente para o meu crescimento como artista, do que ter o aplauso de cem mil que me puxam para o abismo, repetindo elogios redundantes. Zeca é um grande parceiro, de mais de 20 anos, um cúmplice na forma de ver e sentir o mundo. Nesse sentido é uma parceria de sucesso, porque comunga verdades e sentimentos que acreditamos.
BLOG - Ao seu redor novos artistas e jornalistas trocam idéias e opiniões. Você percebe essa capacidade de agregar novos artistas e jornalistas?
CB -Acho que as pessoas, artistas, jornalistas, sentem de alguma forma ou se comovem ao me ver com a bandeira da poesia e da arte sempre hasteada. Gosto de fazer projetos em que interajo com outros artistas, estimulo possibilidades de diálogos e o prazer de fazer isso.
BLOG -Fiquem intranquilos é sua frase de despedida. O que exatamente isso quer dizer?
CB -A inquietação, o desequilíbrio e a intranqüilidade são motores indispensáveis para a criação. Por isso, quando me despeço de alguns amigos desejo isso também a eles, para que a chama da criação não se apague e não fiquemos acomodados, distribuindo a torto e a direito o leite azedo da felicidade. Minha felicidade é outra.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Em Primeira Mão
O segundo livro está a caminho e marca uma dessas felizes parcerias que fazemos na vida. Há muitos anos num ônibus de São Luís conversava com o professor de arte e design gráfico Garcia Junior sobre o livro que estava escrevendo. Ele gostou da ideia e comprometeu-se a fazer a capa e o projeto gráfico.
Passou tempo e acabei perdendo o texto original numa dessas panes de computador. Mas a ideia persistiu. Numa das tarefas escolares, minha filha usava um texto de Dráuzio Varella sobre as memórias do Brás em São Paulo, bairro que ela nunca viu na vida. Aí então decidi reescrever o livro. Fora isso, Garcia precisava de uma produção inédita para cumprir um trabalho da especialização em Design Gráfico. Aí então se reestabeleceu a parceria. O público alvo é a garotada, mas os pais na casa dos 30 e 40 anos vão gostar de ler com/para seus filhos.
O trabalho que vocês vêem em primeira mão está sendo avaliado pelo designer André Stolarks e deve sofrer várias alterações, assim como o texto. Se tudo correr bem, lanço o livro ainda em 2010. Em breve posto um trecho do livro para vocês opinarem, por enquanto palpitem sobre a capa e visitem o site da Imagética.
Texto: Marcus Saldanha
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Blogueiros na 3a Feira do Livro de São Luís

Era muito comum no séc XIX as pessoas escreverem seus diários com relatos pessoais, íntimos. Tempos depois, alguns foram publicados em livros que são vendidos até hoje com muito sucesso. Mesmo nos tempos da internet a prática manteve-se e atualmente muitos escrevem em Blogs. Porém, agora os relatos são postados e compartilhados com milhares de leitores no mundo todo, criando uma interação leitor/escritor impensável tempos atrás. Fatos cotidianos, ativismo político, ambiental e social, webjornalismo, literatura, educação, viagens, enfim, trata-se de tudo nos blogs.
Com um número crescente de blogueiros no Brasil e no mundo a 3a Feira do Livro de São Luís abriu espaço para o debate da blogosfera num ambiente literário. Vale a pena conferir, participar e divulgar o debate.
Mais Informações: Marcus Saldanha
marcushistorico@hotmail.com
Texto: Marcus Saldanha
Imagem: Garcia Jr - Imagética - www.imagetica.net
Com um número crescente de blogueiros no Brasil e no mundo a 3a Feira do Livro de São Luís abriu espaço para o debate da blogosfera num ambiente literário. Vale a pena conferir, participar e divulgar o debate.
Mais Informações: Marcus Saldanha
marcushistorico@hotmail.com
Texto: Marcus Saldanha
Imagem: Garcia Jr - Imagética - www.imagetica.net
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