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domingo, 2 de outubro de 2011

Documentário "Memória de Pedra"

Eu e Rafael Pirata no Sambaqui Itapari - Praia da Ponta Verrmelha  

Há muitos anos que insisto na discussão sobre o período pré-colonial maranhense: sambaquis, estearias, artefatos líticos, utensílios ceramistas, arte rupestre, muiraquitãs...temas que me fascinam muito. Agora, já não bastasse um mundo de tarefas e atribuições estou nesta nova e ousada investida - fazer um documentário com esta temática.

A ideia é coletar depoimentos de especialista e interessados no assunto, mostrar a relação das pessoas com o acervo pré-histórico, imagens dos sítios e do Museu de Arqueologia. Se o filme funcionar vai levantar uma reflexão importante durante a celebração dos 400 anos de São Luís em 2012. Fazer as pessoas olharem para o chão, para o solo. A princípio era para ser um DOC abordando toda a pré-história do Maranhão, mas por razões financeiras ficará cincunscrito a Ilha de São Luís.

Oportunismo, mesmo. Cinema não é barato! Para a empreitada conto com o apoio da Faculdade São Luís, orientação do experiente Francisco Colombo, fotografia e imagens de Rafael Pirata e a parceria de Jacelena Dourado na produção. Serão por volta de 13 minutos. Já temos 4 horas de filmagens e ainda faltam, pelo menos mais 3. Tudo saindo do próprio bolso, nada de recursos públicos.

Como já conhecia o assunto muito bem, a parte de pesquisa não foi difícil, mas o roteiro não é nada fácil, ainda tô penando um pouco. Não quero que o filme fique com cara de reportagem ou de telecurso 2000. Imagina a edição? Uma coisa por vez. tenho tentado alguém para fazer a animação de algumas cenas e a trilha sonora original, tudo na base da camaradagem, claro! Não é fácil! Alguém se habilita?

Vamo que vamo! Já percorremos vários sítios de sambaquis da Ilha de São Luís (empilhadores de conchas) acompanhados do arqueólogo Deusdédith Leite do Museu de Arqueologia: situação deplorável de abandono pelo poder público. Sobre isso, ainda entrevistaremos Kátia Bogéa do IPHAN. tenho a sensação de estar realizando um sonho e contribuindo para uma questão patrimonial, social e cultural - jornalista e historiador, duas pontas atadas a serviço da sociedade.

Quando lancei o meu livro levai algumas porradas, penso que com o filme não será diferente, mas ainda acredito que a construção de uma obra fala mais alto que uma carreira baseada na destruição do trabalho alheio. A uma altura desta da evolução humana, ninguém mais vai inventar a roda, mas muito pode ser feito, sobretudo respeitar e valorizar o trabalho de figuras que andam meio esquecidas e até renegadas como Raimundo Lopes e Olavo Correia Lima.

O certo é não vou precisar de convite, na festa dos 400 anos eu já tô dentro e não tô sozinho.

Veja mais fotos:

arqueólogo Desudédith fazendo Educação Patrimonial  

Moradora do Gapara conversando sobre sambaquis e pedras de raio: coisa do diabo?

au-au: acompanhando as filmagens no Gapara: quem disse que não teríamos público!

Trio de Pedra: Rafael Pirata, Jacelena Dourado e eu (Sambaqui Itapari)

Com o Prof.Alexandre Correia  - excelente depoimento para o filme

Eliane Leite o Museu de Arqueologia - falou com o coração

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Um Passeio Pela Pré-História Maranhense

Alunos do Colégio Santa Teresa numa aula de campo com o arqueólogo Deusdédith Leite

Vocês já ouviram falar em Estearias, Sambaquis ou pinturas e gravuras rupestres? Sabem como é feita a datação de achados arqueológicos? Sabiam que há vestígios da presença humana no Maranhão de 9 mil anos? E que é crime comprar ou vender qualquer utensílio de valor arqueológico?
Questões como essas serão discutidas por uma turma de alunos do primeiro ano do Ensino Médio do Colégio Santa Teresa durante a 30 Mostra Científica no dia 29 de outubro, das 9 às 15 hs.

O trabalho de pesquisa e montagem de uma sala/cenário representando a arqueologia pré-histórica maranhense está sendo desenvolvido pelos alunos sob orientação do professor Marcus Saldanha e em parceria com o Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão.
Para a Mostra Científica serão apresentadas cinco seções: Estearias (sítios arqueológicos pré-históricos do tipo palafita identificados em Penalva, Pinheiro e São Vicente Férrer); Sambaquis (os "empilhadores de conchas", como eram denominados pelos Tupis, esses grupos de pescadores e coletores que habitavam regiões litorâneas); arte rupestre (encontradas em Carolina, Riachão, São Domingos do Maranhão, São João do Sóter e Grajaú; técnicas de escavação e datação arqueológica e um escritório de mobilização de defesa do patrimônio arqueológico maranhense.

Durante as pesquisas os alunos tiveram uma aula de campo no Sambaqui do Itapari, em Panaquatira com o arqueólogo do Museu de Arqueologia, Deusdédith Leite, que ressaltou a importância arqueológica e histórica daquele lugar e as intrusões humanas. "Estão retirando terra preta para jardinagem daqui. Além disso, há uma invasão se aproximando do local. Em pouco tempo, se a área não for certificado como de preservação arqueológica, será destruída", ressaltou o arqueólogo.

Para os alunos a ideia de sensibilizar as pessoas sobre a existência de vestígios da cultura material pré-histórica maranhense não será uma tarefa fácil, já que os termos técnicos da arqueologia e a leitura de leis ambientais e patrimoniais são maçantes para adolescentes na faixa de quinze anos de idade. Mas acima de todas essas dificuldades, eles parecem ter vestido a camisa da luta em defesa do Patrimônio Arqueológico: valorizar, respeitar e preservar!
Texto e foto: Marcus Saldanha