Porto de Galinhas na maré alta. foto: Marcus Saldanha
Numa viagem de apenas três dias por Pernambuco tive que optar por alguns destinos rápidos: Recife Antigo, Olinda e Porto de Galinhas. A única praia do roteiro foi explorada em apenas uma tarde e infelizmente com a maré alta, o que limitou bastante a visão que tive do lugar.
Depois de levar um bolo de um dono de van (Wellighton Viagens, Excursões e Locações) que havia combinado de nos buscar no hotel e até às 9 da manhã ainda estava dormindo, seguimos de Boa Viagem até o Aeroporto dos Guararapes num grupo de oito pessoas. Com muita barganha conseguimos uma van com TV, DVD e ar-condicionado por 250 reais/dia.
Há ônibus partindo de vários pontos de Recife por apenas 10 reais, mas fazem o trajeto de forma mais lenta devido as paradas. As excursões cobram muito caro, então alugar um carro ou dividir uma van/furgão recomendada no hotel/albergue pode ser uma boa opção.
Em apenas 1h e 20 minutos chegamos em Porto de Galinhas via Cabo de Santo Agostinho. Muitos motoristas evitam este trajeto por causa do pedágio na estrada e acabam indo pela engarrafada BR. Este roteiro parece ser o mais rápido, e sem dúvida o melhor, devido as paisagens litorâneas do caminho.
Praia em Cabo de Santo Agostinho. Foto: Marcus Saldanha
Porto de Galinhas pertence ao município de Ipojuca e já era conhecida pelos europeus desde o século XVI como antiga zona de ocupação dos índios caetés, transformada em área de estanco comercial do pau-brasil (Porto Rico) e posteriormente em porto de desembarque ilegal de escravos. Aliás, daí advém seu nome: os escravos eram embarcados embaixo de caixas de galinha d´angola para camuflar o tráfico e os comerciantes assim avisavam a chegada dos navios"Tem galinha nova no porto!"
Galinhas d´angola viraram o símbolo da cidade. Foto: Marcus Saldanha
Para visitar a cidade é essencial informar-se sobre a tábua das marés, pois somente na maré baixa é possível fazer o melhor passeio da praia: as piscinas naturais. Fora isso, restam poucas opções, como os caros passeios de buggys (média de 160 reais por pessoa), mergulho (média de 180 reais por pessoa), passeio de barco pelas praias da região (preço a combinar com jangadeiros) ou aulas de surf.
Para mochileiros existem os albergues A Casa Branca e do Alberto e um restaurante próximo ao único posto de gasolina onde se paga apenas 9 reais por um prato médio raso em que você pode servir-se à vontade, mas com apenas duas opções de guarnição ou pagar 19 reais o kilo.
Eleita por 10 vezes como a melhor praia do Brasil, Porto de Galinhas parece agora começar a viver o drama de muitos lugares que se tornam badalados pontos turísticos: praia cheia, destino comum, preços abusivos nos restaurantes, hotéis e serviços e a descoberta de novos destinos mais rústicos. Já é possível ouvir entre os próprios pernambucanos que a melhor praia atualmente é a dos Carneiros, apesar do acesso mais difícil e a falta de infraestrutura.
Portal oficial de Porto de Galinhas tem mais dicas de hospedagens, restaurantes e passeios, clique aqui
A grande novidade da semana é a viagem no tempo, mais precisamente para a São Luís dos anos 30 e 40 através do filme de aproximadamente 26 minutos postado na internet por Ramssés Souza, pertencente aos pesquisadores do futebol maranhense Djard Martins e seu filho Jesus Martins.
O filme é composto de várias cenas curtas que retratam desde o cotidiano de uma família da elite maranhense, a julgar pela posse do equipamento de filmagem, o que era raro aqui no Estado, o dia-a-dia da cidade até eventos cívicos, políticos e esportivos.
Essencial para pesquisadores, professores e alunos discutirem a evolução da cidade através de seus costumes, tais como vestuário, lazer (há cenas da prática de aeromodelismo), um dia numa cervejaria, uma visita a praia do Olho Dágua, passeios a praças e logradouros públicos, vida em família, e até de um batizado. Estão registrados também, a construção de prédios públicos como o prédio do IFMA, no Monte Castelo e do 24o Batalhão do Exército, no bairro do João Paulo.
De valor histórico para a memória política do Maranhão são as cenas de compromissos políticos do então interventor do Maranhão, Paulo Ramos. Possivelmente, inspeção de obras de saneamento e urbanização da cidade. Além de desfiles cívicos pelo centro da cidade.
Curioso ainda, para a memória do futebol maranhense e o provável mote da preservação do filme, é a cena que retrata uma partida noturna no extinto estádio Santa Isabel (canto da Fabril) entre o Moto Clube e o Maranhão Atlético Clube realizada, segundo Djard, no dia 1 de maio de 1940 por ocasião das comemorações do Dia do Trabalhador.
A família de Cesar Aboud, personagens do filme, esteve intimamente ligada a vários eventos importantes da capital maranhense. Empresário de origem sírio-libanesa de prestígio na cidade, dirigiu o Moto Clube entre as décadas de 30 e 40. Agora sua vida privada, torna-se mais pública ainda e servirá de fonte para a memória maranhense. Um precioso registro de um tempo que agora volta graças a tecnologia audiovisual e a internet.
essa aí é a carteira do Albergues da Juventude que dar descontos na maior rede de hospedagens do mundo, com cerca de 3,7 milhões de associados e mais de 4 mil albergues em 70 países.
A carteirinha vale por um ano e pode ser tirada pela internet ou em qualquer albergue no Brasil e no mundo, mediante a xerox do CPF e RG e o pagamento de uma taxa de 20 reais para a nacional ou 40 para a internacional.
Em São Luís, pode ser tirada com entrega imediata no Albergue Solar das Pedras, na rua da Palma, Centro Histórico. Se vale a pena? Lá, por exemplo, a diária individual para quarto coletivo, com a carteira custa apenas 20 reais, e o quarto casal com banheiro, apenas 40 reais. O Albergue é indicado pelo "Guia 4 Rodas: Viaje Bem e Barato".
Texto e foto: Marcus Saldanha
Histórico do Albergues da Juventude
Em 1909 na Alemanha o professor Richar Schirrmann dedicava parte de seu tempo a criar programas de convivência para seus alunos. De atividades pedagógicas passou a organizar grupos com os jovens para realizar pequenas viagens de estudos. Foi assim que o professor Schirrmann descobriu a possibilidade de criar uma alternativa para acomodar os alunos, que não fosse apenas o pernoite em hospedarias.
Assim nasceu o primeiro Albergue da Juventude - HOSTEL, em Alterna, Alemanha, ano ano de 1912, que fuciona até hoje. Em 1932 foi criada a Federação Internacional de Albergues da Juventude - HOSTELLING INTERNATIONAL.
Olá, Nesta quarta-feira, 06 de maio às 19 horas, será lançado na Academia Maranhense de Letras o Dicionário Histórico-Geográfico da Província do Maranhão de César Augusto Marques, em edição feita por Jomar Moraes. Atualmente o livro é uma raridade, encontrado em algumas bibliotecas públicas, particulares e sebos. César Augusto Marques foi historiador, doutor em medicina, professor de matemática, reitor do Colégio Pedro II, Secretário da Inspetoria de Instrução Pública (cujo cargo se aposentou) e membro do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico do Brasil. O livro foi lançado pela primeira vez no Maranhão em 1870 pela famosa Tipografia Frias, na rua da Palma e dedicado ao imperador D. Pedro II. A edição que possuo é a que mais circula entre os historiadores, da Cia. Editora Fon-Fon e Seleta, Rio de Janeiro de 1970 patrocinada pela SUDEMA. Dizem que o livro foi feito a partir de relatos que o autor ouvia das pessoas sobre os lugares que moravam ou viajavam. Seja como for, é ainda hoje um dicionário de termos fundamentais para pesquisa em várias áreas do conhecimento sobre o Maranhão. Texto: Marcus Saldanha
Há dez anos visitei a cidade de Santarém, região do Alentejo em Portugal refazendo parte da rota dos "Descobrimentos Portugueses". Na época, outubro de 1999, no Brasil já estavam instalados os relógios do designer gráfico Hans Doner nas capitais brasileiras em contagem regressiva para as comemorações.
Curioso, um episódio da viagem ocorrido na estação de trem de Lisboa que narrarei abaixo:
Pergunto a funcionárias do atendimento a turistas da estação: - Sou brasileiro. Qual a melhor forma de chegar a Santarém?
- O que vais fazer em Santarém?
- Sou professor de História e queria conhecer o túmulo de Pedro Álvares Cabral, respondo.
- Quem foi? Teu parente?
- Não. Uma pessoa importante na História do Brasil. Respondo, surpreendendo-me com a pergunta.
- Melhor seria, já que está cá, conhecer o sul de Portugal. Há belas praias para turistas. Não há muito que ver em Santarém.
Segui curta viagem de "comboio". Em Santarém, desço do trem e não sobra nenhum táxi na estação. Subo uma ladeira por horas até a cidade.
Chego a uma praça com uma estátua de Pedro Álvares Cabral com a inscrição: Descobridor do Brasil. É aqui!
A Igreja de Nossa Senhora das Graças, onde estão os restos mortais de Cabral estava fechada devido a uma greve. Insisti muito para que visse o túmulo. Na inscrição destaca-se a relevância da esposa de Cabral, camareira real.
A guia me disse que os turistas visitam a igreja por cauda de sua arquitetura e poucos brasileiros tinham interesse no túmulo de Cabral.
No ano seguinte a casa de Cabral, vizinha a igreja, em reforma na época da minha visita, foi inaugurada como Casa do Brasil em Portugal, pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.
Em Portugal, Cabral me pareceu um ilustre desconhecido.
quando eu era criança adorava o personagem histórico Tiradentes: era feriado, sabia seu nome completo de có e o seu apelido engraçado. A primeira imagem que vi de Tiradentesfoi no livro da escola, parecia Jesus Cristo. (representação de DécioVilaresde 1928) Na adolescência era comum a pegadinha: em qual museu fica a cama que morreu Tiradentes? Pois é, na faculdade, durante um congresso de estudantes de História em 1997 conheci algumas cidades de Minas Gerais, em especial Ouro Preto. Visitei os museus, as igrejas, andei pelas ruas e fiquei parado por horas ali diante do Museu de Minerologiamirando o Museu da Inconfidência.
Em 1890, por exemplo, os republicanos viram no idealista Joaquim José da Silva Xavier, enforcado em 1792, um mártim e decretaram feriado nacional, desde então muito festejado, assim como o 15 de novembro. A data também foi comemorada também com áurea de patriotismo nos "anos de chumbo" da ditadura militar. Curioso, pois se estivesse vivo nesse período, Tiradentes certamente, seria uma das vítimas do DOPS, acusado de subversão.
No plano dos inconfidentes constavam a industrialização do Brasil, a criação de uma universidade em Vila Rica, a implantação do serviço militar obrigatório e entre outras coisas, pensões para mães com muitos filhos, para incentivar o povoamento do território nacional (Olha o verdadeiro pai do Bolsa Família aí gente!!!)
Hoje é feriadão e há anos não há nenhuma manifestação em São Luís que relembre o episódio histórico. Além do post sobre Tiradentes e a Inconfidência Mineira, achei interessante relembrar a viagem de estudante que fiz à antiga Vila Rica de Tiradentes, Cláudio Manoel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Marília de Dirceu, do "traíra" Joaquim Silvério dos Reis (que dizem se desterrou no Maranhão onde matou-se anos depois da Devassa) e do meu aniversário num julho frio de Ouro Preto, aos 21 anos de idade quando ainda não declarava imposto de renda. (foto)
Hoje, quando se comemora no Brasil o Dia do Índio, achei oportuno postar a matéria que fiz com Ademar Krenyê Timbira (foto), representante do povo Krenyê-Timbira (tronco linguístico Jê), formado por 150 pessoas, vivendo atualmente na Aldeia Pedra Branca, a 27 km do município de Barra do Corda. Considerados extintos por muitos, os Krenyês-Timbiras resistem e existem. A conversa com Ademar rolou na Semana dos Povos Indígenas no Maranhão 2009, um pouco antes da mesa redonda que discutiu o tema "Terra Indígena, Meio Ambiente e Etnodesenvolvimento", da qual fizemos parte. Acompanhe a matéria:
"Estamos pedindo o reconhecimento do nosso território e do povo que foi expulso da sua terra tradicional (Pedra do Salgado- Bacabal/MA) ocupada atualmente por fazendeiros, por não-indígenas. Passamos por várias aldeias: guajajaras, gaviões... a gente vem sofrendo a algum tempo. Na década de 80 houve um conflito entre o povo Kreniê-Timbira e os Gaviões na aldeia Governador (Amarante-MA). Dessa época que viemos para a atual região da Terra Indígena Dominial Rodeador, em nome de krikatis e gaviões."
* Terras Indígenas Dominiais são aquelas que pertencem a todos os povos.
Atualmente, Ademar vem tornando-se uma liderança, representando o desejo de seu povo pelo seu território. Um documento já foi enviado para a FUNAI solicitando a visita do grupo técnico, com cópia encaminhada ao Ministério Público em São Luís.
O grupo que está se reorganizando, já fez uma visita a Pedra do Salgado e identificaram no local as três mangueiras, onde os mais velhos faziam os rituais de encontro com os espíritos, plantadas pelos bisavôs de Ademar e que demarca o território Krenyê. Por volta de 1956, com epidemia de sarampo e catapora, os indígenas achavam que o local estava afetando o seu povo e mais a pressão dos fazendeiros. O grupo pequeno não resistiu e aceitou a opção de mudar-se para aldeia Pindaré (Bom Jardim). E daí foram para o Rodeador em acordo com os Krikatis, Gavião e Canelas. O povo dado por muitos como extinto, continua resistindo e existindo na luta dos povos indígenas por seus direitos.
Os Kreniês-Timbiras, cujo nome vem de um pássaro, conhecido pelos não-índios como "Jandaia" têm em seus traços culturais a aldeia circular, pintura corporal listrada como a cobra coral utilizando o urucum entre as formas geométricas, o cocar todo de algodão trançado, com poucas penas, que quando usadas são as mais branquinhas e na Festa da Menina Moça (ritual de passagem da adolescência) corrida de toras e flechas, onde dois grupos são divididos, o Camaleão e o Cobra e durante o dia fazem uma espécie de revezamento de bastão só que com flechas numa corrida circular.
a boa nova da semana é a chegada de Marcos Caldas no "on"iverso da blogosfera. Responsável pela ilustração/editoração do meu livro didático "História do Maranhão", o designer gráfico é reconhecido pela sua "militância" criativa na produção e divulgação de Histórias em Quadrinhos no Maranhão. Marcos Caldas disponibiliza em seu blog e site alguns dos seus trabalhos: Menino Estranho, Empata, Índia, Diabona e outros. É como ele diz: "plantar uma árvore, ter filhos e produzir histórias em quadrinhos".
Para historiadores e educadores o trabalho mais esperado continua sendo a Balaiada em História em Quadrinhos. O projeto de pesquisa e ilustração já dura algum tempo. Na imagem acima, retirada do seu site, vocês já podem ter idéia da qualidade artística do traço do cara.
O professor do Departamento de Sociologia e Antropologia (DESOC), Dr. Alexandre Fernandes Corrêa, inaugura no próximo dia 27 de março, sexta-feira, às 17 h, as novas instalações do Grupo de Trabalho UFMA/São Luis-400 anos, localizada no prédio do Antigo Ceb-Velho.
Para marcar a solenidade, Corrêa apresentará, na Área de Convivência, a proposta que vêm desenvolvendo sobre as comemorações sócio-históricas de 350 anos de fundação da cidade de São Luis, ocorridas em 1962 (foto).
O projeto consiste numa campanha de recuperação de fotografias e outras imagens relacionadas às comemorações da época. O Grupo de Trabalho coordenado pelo professor pretende contribuir com os eventos e promoções culturais para as comemorações dos 400 anos de fundação da cidade e dos 46 anos da Universidade Federal do Maranhão, ambos a serem completados em 2012.
Ao final da apresentação, serão lançados três livros, sendo dois de autoria de Alexandre Corrêa. O primeiro – O Museu Mefistofélico e a distabuzação da magia: uma análise do tombamento do primeiro patrimônio etnográfico do Brasil – é fruto de sua pesquisa de pós-doutorado, realizada na Universidade Federal do Rio de Janeiro. O segundo é a adaptação de sua dissertação de mestrado defendida na Universidade Federal de Pernambuco, intitulado Festim Barroco: um estudo do significado cultural da Festa dos Prazeres em Pernambuco. O terceirolivro – Psicanálise e saúde mental: a análise do sujeito psicótico na instituição psiquiátrica – é de Adriana Cajado Costa, vice-líder do Grupo de Pesquisa. As três publicações saem pela EDUFMA, com apoio do Programa de Pós-Graduação Cultura e Sociedade – Mestrado Multidisciplinar (PGCult) e do projeto e-ufma (http://www.eufma.ufma.br/).
acabo de ler no site da Elo que a procuradora-geral de Justiça, Maria de Fátima Rodrigues Travassos Cordeiro, e o secretário de estado de Cultura, Joãozinho Ribeiro, assinaram na manhã desta terça-feira, 24, o Termo de Compromisso, Guarda e Responsabilidade do processo criminal contra a baronesa de Grajaú, movido pelo patrono do Ministério Público do Estado Maranhão, Celso Magalhães (Gravura), no século XIX.
A partir de agora, os dois volumes do processo ficam sob a guarda da Procuradoria Geral de Justiça. Os autos serão digitalizados, transcritos e divulgados em um livro, detalhando o caso. “A história de Celso Magalhães é a nossa história e agora poderá ser exposta para toda a sociedade”, disse a procuradora-geral durante o recebimento da peça jurídica em que o promotor de Justiça denuncia a poderosa baronesa de Grajaú pela morte de um escravo. “A partir desse processo é possível resgatar toda a história do Ministério Público. É um ponto de partida importante”, disse Lenir Oliveira. Os autos estavam em poder do Museu Histórico e Artístico há 35 anos. A peça data de 1876 e na visão do promotor de Justiça e coordenador Programa Memória Institucional do Ministério Público, Washington Luiz Maciel Cantanhede, “é o mais importante processo da história do judiciário maranhense do século XIX”. Cantanhede ressaltou ainda que a partir do processo de digitalização, transcrição e publicação da peça jurídica em um livro, todo o conteúdo estará à disposição nas bibliotecas do país para estudos sobre os argumentos do patrono do Ministério Público maranhense, que teve a coragem de denunciar o assassinato de um escravo cometido por uma senhora de escravos. Além da publicidade o documento ficará protegido, já que pelo tempo de sua elaboração, cada manuseio deteriora ainda mais os volumes. A previsão para o lançamento do livro com os autos na íntegra é de dois anos.
O caso do assassinato do escravo de 8 anos de idade, de forma violenta em 1876, por Ana Rosa Viana Ribeiro (Baronesa de Grajaú) , mulher do vice-presidente da província e médico Carlos Fernando Ribeiro, moradores da Rua São João, no centro de São Luís, já havia sido retratado no livro O Crime da Baronesa pelo jurista e professor universitário José Eulálio Figueiredo de Almeida, que fez por anos munuciosas pesquisas nos autos e periódicos de época.
Entender o caso que ganhou repercussão nacional permite o mergulho nas disputas políticas do império brasileiro também circunscritas na província maranhense entre liberais e conservadores, nas disputas abolicionistas, além de um olhar multidisciplinar (Direito Penal, Criminologia, Medicina Legal, Antropologia, Sociologia e História sobre um dos mais importantes julgamentos do Brasil no séc. XIX.
A baronesa foi absolvida e o promotor e poeta Celso Magalhães, discípulo do também jurista e poeta pernambucano Tobias Barreto, foi exonerado do cargo. O Corpo do menino foi levado ao cemitério com caixão fechado, hábito incomum na época.
Excelente mote para discutir questões escravistas e abolicionista, além de aspectos sociais e culturais do Brasil, em especial do Maranhão na segunda metade do século XIX.
Para ir além, recomendo a leitura de outros autores que retratam as agruras do cativeiro no Maranhão: Josué Montello (Os Tambores de São Luís) e Manuel Caetano Bandeira de Melo.
A Secretaria de Estado da Cultura, através do Arquivo Público do Estado do Maranhão, estará realizando no dia 30 de março o lançamento dos livros: “RETRATOS DO MARANHÃO COLONIAL: Correspondência de Joaquim de Mello e Póvoas, governador e capitão-general do Maranhão 1771-1778” e “CATÁLOGO DOS REGISTROS GERAIS: registros de atos e da correspondência do Reino e do Governo do Maranhão 1754-1828. Volume I”.
O lançamento dos livros acontece no dia 30 de março às 18:00 no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, que fica localizada na Rampa do Comércio, nº 200 – Praia Grande. Fonte: site elo
sábado à tarde (21), no catamarã Vitória, com a moçada do SESC passeando pelas águas do Golfão Maranhense: Baía de São Marcos, Canal do Boqueirão, Rio Anil, Igarapé Ana Jansen, Rio Bacanga, e a ria entre a cidade velha e a cidade nova, por baixo da Ponte do São Francisco. Véspera do Dia Mundial da Água. Acompanhe a história.
O Tempo nublado não atrapalhou o passeio que saiu da histórica Ponta D´areia, até o Cais da Praia Grande. Na ida, passagem pela Ponta da Espera, (terminal de embarque/desembarque de ferry-boat que fazem a travessia de São Luís até a Baixada Maranhense), vista dos navios sendo carregados no Porto da Madeira e paradinha na pacata Ilha do Meio ou do Medo (fotos).
A Ilha possui cerca de 13 famílias, que na sua maioria vivem da pesca e do artesanato. Os mais jovens passam a semana na cidade (São Luís), onde trabalham e estudam. Não há infra-estrutura para receber muitos visitantes. As casas são de palha, muitas com fogão de barro e apesar dos bares que vimos a ilha é área restrita da Marinha. Ainda assim, os aventureiros de plantão, podem fazer duas trilhas no período mais seco do ano, entre julho e dezembro: Trilha das Piscinas e a do Farol. Há ainda um navio encalhado desde a década de 80 no lado oposto da praia que aportamos. A propósito dos nomes, Ilha do Meio por estar entre o continente e a baía de São Marcos, e do Ilha do Medo, por causa dos índios tupinambás antropófagos que habitavam-na em tempos remotos.
Depois do banho e passeio pela Ilha do Meio ou Medo, voltamos seguindo em direção a ria (encontro das água do mar e os rios Anil e Bacanga, passando pelo igarapé Ana Jansem, usado por Donana para travessia até a fazenda "Olaria" pelas bandas do atual Sítio Santa Eulália, de sua propriedade. Cruzamos a ponte do "São Francisco" (que une a cidade nova à cidade velha) por baixo, na estranha sensação de fazer o caminho oposto do cotidiano, até a ponta de São Luís, avistando a Igreja dos Remédios, Antiga Praia do Caju, Palácio dos Leões, o Cais da Sagração, seguindo até a Praia Grande, a Igreja do Desterro, o Convento das Mercês, olhando a cidade na perspectiva dos navegantes, assim como fizeram franceses, portugueses e holandeses nos séculos passados. Demos a volta pela ponta do Bonfim, de onde se avista a Praia da Guia e o leprosário até o desembarque no cais da Praia Grande.
Um passeio histórico e divertido. Muitos turistas encantados com as belezas naturais do Maranhão, que muitas vezes não é conhecido e nem valorizado pela sua própria gente.
Fica a dica para o próximo passeio: 04 de abril, promovido pelo SESC Turismo.
A Secretaria de Estado da Cultura realiza nos dia 24, 25 e 26 de março o Ciclo de Debates “Fotografia e Memória: história e políticas públicas no Maranhão”. Confira abaixo a programação completa dos 03 dias de evento:
Dia 24 de Março Solenidade de Abertura - 19h Conferência: “A Fotografia na Preservação da Memória Sociocultural” Conferencista: Alexandre Correa (DESOC/UFMA) Local: Auditório da Faculdade de Arquitetura – Abertura de Exposições e Coquetel Local: Salão dos Arcos – Faculdade de Arquitetura/FAU – 20h00min
25 de Março Oficina 1: Técnicas de Preservação de Acervos Fotográficos Ministrante: Francisco Ottoni Local: Sala de Monografia – Faculdade de Arquitetura – 08h00min às 10h00min Palestra 1: “O Museu da Imagem e do Som do Maranhão: proposta de trabalho” Palestrante: Jeovah Silva França (SECMA) Local: Auditório da Faculdade de Arquitetura – 10h30min às 12h00min Oficina 2: Fotografia e Cultura Popular: experiência de um reencontro Ministrante: Murilo Santos (UFMA) Local: Auditório da Faculdade de Arquitetura - 14h00min às 16h30min Mesa-Redonda 1: “História da Fotografia e Fotografia na História: Representação e Memória Fotográfica do Patrimônio Cultural” Participantes: Alexandre Correa (DESOC-UFMA), Kátia Bogea (IPHAN-RR/MA), Ananias Martins (UEMA-SECMA); Frederico Burnett (FAU/UEMA), José Reinaldo Martins (UEMA) Coordenador: Jeovah França (SECMA) Local: Auditório da Faculdade de Arquitetura – 17h00min – 19h00min
Dia 26 de Março Oficina 3: “Fotojornalismo e Memória” Ministrante: Eugênio Sávio (PUC/MG) Local: Sala de Monografia – Faculdade de Arquitetura – 08h00min às 10h00min Mesa Redonda 2: “Fotografia Contemporânea no Maranhão: Fotojornalismo, Publicidade e Trabalho Autoral” Participantes: Edgar Rocha, Brawne Meireles, Airton Vale, Eugenio Sávio (PUC-MG), Francisco Armond (FAU/UEMA). Coordenador: Adalberto Rizzo (SECMA/UFMA) Local: Auditório da Faculdade de Arquitetura - 10h30min às 12h00min Palestra 3: “Os Museus da Imagem e do Som na Preservação e Difusão da Memória Fotográfica e Audiovisual” Palestrante: Roberta Zanatta (Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro) Local: Auditório da Faculdade de Arquitetura – 14h00min – 16h30min Mesa Redonda 3: “Políticas Públicas para a Fotografia e o Audiovisual no Maranhão” Participantes: Joãozinho Ribeiro (SECMA), Jeovah França (SECMA), Jerry Abranches (SECOM), Murilo Santos (UFMA); Euclides Moreira (FUNC-SL) e Francisco Gonçalves (UFMA) Coordenador: Márcia Teresa Mendes e Josimar Mendes Local: Auditório da Faculdade de Arquitetura – 17h00min às 19h00min Encerramento: Apresentação de Tambor de Crioula Participantes: Tambor de Crioula Santa Bárbara Entrada da Faculdade de Arquitetura – 19h00min Fonte: Site Elo
No dia 20 de março de 1662 um Decreto proibiu a escravidão de índios na América Portuguesa. Foi o estopim do desntendimento entre a elite colonial maranhense e a Igreja Católica. Do lado da Igreja os sermões do Pe. Antônio Vieira. Pelo lado dos colonos, um grupo articulado por Manoel Beckman, encontrava-se regularmente na Igreja de Santo Antônio. Esses encontros resultariam na primeira rebelião nativista da América Portuguesa: A Revolta de Beckman (1684).
Na época, a situação da economia maranhense era de penúria como nos descreve Carlos de Lima em seu livro História do Maranhão, que transcrevi no meu livro didático de História do Maranhão, assim: "a situação era de miséria: todos andavam descalços, os escravos nus, nas cidades e nas fazendas, as pessoas mais importantes com vestes de panos de algodão tinturadas de preto. Em 1661, famílias nobres deixaram de ir à missa, no natal, por não terem o que vestir".
O governo maranhense foi tomado pelos revoltosos, os jesuítas expulsos do Maranhão e a então Cia de Comércio do Maranhão e Grão-Pará (responsável pelo monopólio do comércio na região) foi extinta. Em pouco tempo, o movimento foi debelado e Beckman submetido ao castigo exemplar: enforcamento.
Quanto aos índios, sabemos da História. Apesar da defesa da Igreja Católica da liberdade do gentio na época, as invasões e massacres continuam acontecendo em suas terras. O decreto foi apenas o primeiro passo na defesa do direito a liberdade dos povos indígenas e deve ser tomado como base hoje na luta pela igualdade da única raça no planeta. A Raça Humana.
Em abril, o Museu de Arqueologia estará com a programação da Semana dos Povos Indígenas do Maranhão. Na ocasião pretendo apresentar um trabalho sobre os Tremembés e suas migrações do Ceará ao Maranhão.
Falo mais sobre o assunto em breve.
Fonte: História do Maranhão - Marcus Saldanha - Ed. Central dos Livros
Imagem: “MAMELUCOS CONDUZINDO PRISIONEIROS ÍNDIOS”Jean-Baptiste Debret, Viagem pitoresca e histórica ao Brasil (1834)Prancha 20 Foto: Índia conflito de sem terras - Luís Vasconcelos (Google Imagens)
O Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão acaba de lançar a cartilha "Arqueologia do Maranhão". O Trabalho foi concebido pelos arqueólogos Desudédit Leite e Eliane Gaspar, que assinam também os textos explicativos sobre o período pré-colonial maranhense (arte rupestre nos abrigos sob rocha, os sambaquis, as estearias, as populações de horticultores e ceramistas, as nações indígenas encontradas pelos colonizadores) e o metódico trabalho do arqueólogo.
Ao lado de cada texto, ilustrações de Terciano (Cartum Postal), que para representar os paleoíndios do Maranhão mudou seu traço artístico, inspirado na iconografia representativa de ameríndios das décadas passadas.
Já o projeto gráfico é assinado por Henrique Dias.
A idéia é divulgar a arqueologia produzida no Maranhão e o acervo exposto no Museu de forma didática para professores e alunos.
Em tempos de planejamento escolar e início do ano letivo, quando em História, Arte, Geografia e Biologia se discute a Pré-História, História da América e o Evolucionismo, nada melhor do que incluir nos planos de aula ou projetos didáticos uma volta no tempo de no mínimo, nove mil anos antes do presente.
O Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão fica na rua do giz, 59 - Praia Grande. Centro Histórico de São Luís-MA
As visitas podem ser feitas de 2a a 6a das 8 às 12e das 14 às 18 hs
Agendamento pelo tel: 98 3218-9906
Marcus Saldanha - Colaborador e parceiro do Museu de Arqueologia do Maranhão
em abril vai rolar em São Luís o Simpósio do Maranhão oitocentista. As inscrições já estão abertas na UFMA e UEMA. Veja a programação:
22/04/2009
16:00 – 19:00 h – Credenciamento
19:00 h – Abertura
19:30 h – Conferência
As províncias e a construção do Estado brasileiro
Dr. Théo Lobarinhas Piñeiro (UFF)
23/04/2009 08:30 h – Mesa-Redonda 01 O Maranhão Oitocentista: a construção do Estado Dra. Regina Helena Martins de Faria (UFMA)Dr. Flávio José Silva Soares (UFMA) Ms. Marcelo Cheche Galves (UEMA) Ms. Luíz Alberto Ferreira (COLUN)
10:30 h – Mesa-Redonda 02 O Maranhão Oitocentista: escravidão Dr. Josenildo de Jesus Pereira (UFMA) Ms. Yuri Costa (UEMA) Ms. Cristiane Pinheiro Santos Jacinto (CEFET – MA) Ms. Jordânia Maria Pessoa (UEMA / Caxias) 14:30 h – Mesa-Redonda 03
O Maranhão Oitocentista: religião Dr. Lyndon de Araújo Santos (UFMA) Dr. Sérgio Figueiredo Ferretti (UFMA) Ms. Adroaldo José de Almeida (CEFET – Santa Inês – MA) Ms. Rogério Carvalho Veras (UEMA) 16:30 h – Mesa-Redonda 04
O Maranhão Oitocentista: documentos e arquivos Maria Helena Pereira Spínola (APEM) Alyne Carvalho do Nascimento (BBL) Kelcilene Rose Silva (Programa Memória Institucional do Ministério Público do estado do Maranhão) Rosana da Silva Sousa
24/04/2009 08:30 h – Mesa-Redonda 05 O Maranhão Oitocentista: gênero e família Dra. Marize Helena de Campos (UFMA)Ms. Pollyanna Gouveia Mendonça Ms. Edyene Moraes dos SantosTatiane da Silva Sales (mestranda UFBA)
10:30 h – Mesa-Redonda 06 O Maranhão oitocentista: literatura Dr. José Henrique de Paula Borralho (UEMA)Ms. Leudjane Michelle Viegas Diniz Ms. Márcia Milena Galdez Ferreira (UEMA)Ms. Régia Agostinho da Silva (UFMA)
14:30 h – Mesa-Redonda 07 O Maranhão Oitocentista: ensino, livro e leitura Dr. César Augusto Castro (UFMA) Dra. Giselle Martins Venâncio (UFMA) Dra. Mariléia dos Santos Cruz (UFMA) Ms. Elizabeth Sousa Abrantes (UEMA) 16:30 h – Lançamento de livros 17:30 h – Encerramento
Olá, hoje começa o ano letivo da rede estadual de ensino. Além da discussão do artigo de conclusão da pós-graduação do CEFET e do PDE - Plano de Desenvolvimento da Escola, estive pensando/planejando durante essas últimas semanas o ano letivo de 2009. Estava lotado no Anjo da Guarda, mas a escola por razões estruturais fechou. Então esse ano terei a oportunidade de conhecer de perto a realidade do bairro do São Raimundo, em São Luís. Estou ansioso pela "estréia" na nova temporada, rsrsrs.
Achei um texto na net que vai cair como uma luva para a atividade de diagnóstico sobre o grau de entendimento dos alunos sobre o que é história, para que serve, como é construída, quem faz, e outras. Além do texto postado abaixo, pretendo trabalhar com a música Andando em Frente (Renato teixeira) e Tempo Perdido (Legião Urbana). É sempre um desafio pensar o esquema de planejamento o quê? Para quem? Como? Por quê? Principalmente quando a escola ainda não definiu suas metas e objetivos no Projeto Político Pedagógico. Mas já estamos reunidos com a equipe escolar discutido os principais pontos para essa construção coletiva.
Nas discussões iniciais já apareceu a velha questão do Ensino Médio e o Vestibular. Hoje pela manhã, fiquei animado com a nova do MEC assumindo ser necessário a mudança na forma de realização do vestibular (texto no portal imirante - fiz comentário lá). Enquanto isso não muda, tento dar sentido as aulas de histórias para a realidade dos novos alunos que vou conhecer no turno vespertino e noturno, para além da mera aprovação no vestibular.
É como brinco na sala de aula: Então senta que lá vem a história!
Museu encontra mensagem "secreta" em relógio de Lincoln EUA, Washington - Um relógio de ouro de Abraham Lincoln carrega uma mensagem marcando a estreia da Guerra Civil norte-americana, mas o presidente nunca soube da inscrição `secreta` descoberta na última terça-feira pelo Museu Nacional da História Americana. A gravação, feita pelo relojoeiro Jonathan Dillon, é datada de 13 de abril de 1861, e contém as seguintes mensagens: `O forte Sumpter foi atacado pelos rebeldes` e `graças a Deus nós temos um governo`. O museu disse que concordou em abrir o relógio para checar se a mensagem realmente estava lá depois de entrar em contato com seu tataraneto, Doug Stiles, de Waukegan, Illinois. A Guerra Civil norte-americana começou quando as tropas confederadas abriram fogo no Forte Sumpter, em Charleston, no Estado da Carolina do Sul, no dia 12 de abril de 1861. Quarenta e cinco anos depois, o relojoeiro Dillon disse ao jornal The New York Times que estava consertando o relógio de Lincoln quando ouviu que os primeiros tiros da Guerra Civil haviam sido disparados. Dillon disse que desparafusou as peças do relógio e usou uma agulha para marcar o dia histórico no relógio do presidente. Ele disse ao jornal que, até que ele saiba, ninguém nunca tinha visto a inscrição. - Lincoln nunca soube da mensagem que carregava em seu bolso. É um lado pessoal da história sobre um relógio comum que foi inspirado para lembrar de algo para a posteridade - disse em um comunicado Brent Glass, diretor do Museu Nacional da História Americana. Lincoln foi eleito o 16o presidente eleito dos Estados Unidos, em novembro de 1860. No decorrer da Guerra Civil, a Carolina do Sul e outros seis Estados se separaram da união antes da posse de Lincoln em março de 1861. Fonte: Reuters
Valeu viajar mais de 2 mil kilômetros, enfrentar as curvas da serra do baturité, dormir no carro, encarar o frio de 15 graus e a chuva. Guaramiranga, interior do Ceará é muito mais do que dizem.
Na ida, 1.050 kilômetros de São Luís passando por Parnaíba, Chaval, Sobral, Maranguape, Palmácia, Pacoti até Guaramiranga. É o caminho mais curto, porém perigoso, devido às curvas na subida da serra. Mas valeu pela passagem no bem-estruturado Y-Park (Complexo Turístico Ypióca), no município de Maranguape.
Em Guaramiranga, quase 900 metros acima do nível do mar, gente bonita, chocolate quente com chantily, petit gateau, fondue, esportes de aventura e música. Em pleno carnaval, o melhor do jazz e blues nacional e internacional.
No Teatro Rachel de Queiroz, na quadra municipal ou nas ruas. Um carnaval com estilo, bom gosto e muita história para contar.
MUSEU DA CACHAÇA
Na BR 116, na altura do município cearense de Maranguape fica o Y-Park, com o Museu da Cachaça. Excelente infra-estrutura de turismo de campo, com área de lazer, restaurante e museu. Ideal para um programa em família.
No Museu da Cachaça (foto) acompanhamos a história de quatro gerações da família Telles de Menezes, desde o pioneiro Dario Telles de Menezes, imigrante português que desembarcou em Fortaleza em abril de 1843 até a atual administração. Na didática e cronológica montagem dos cenários acompanha-se em cinco salas e áreas externas um resumo da imigração portuguesa para o Brasil, o início da fabricação da cachaça no engenho, o início da expansão pelo Ceará, a introdução da garrafa de 600 ml, um estudo sobre os rótulos, o papel da mulher no comando engenho e a atual modernização do grupo Ypióca.
A Sala 01 ilustrada com excelentes painéis, exposições de moedas e patacas dos séculos XVII e reprodução de cenas de engenhos. A cachaça estava aliada ao processo de dominação colonial, servida logo de manhã para os escravos ganharem ânimo para o árduo trabalho. Retrata a chegada dos portugueses ao Brasil até 1843 quando o engenho é construído.
Na Sala 02 (1843-1895) A história da apropriação e compra do terreno, construção da Casa Grande e uma réplica do alambique de cerâmica vindo de Portugal onde foi feita a primeira cachaça da fazenda.
Na Sala 03 (1895-1924), a força da mulher cearense evidencia-se através da figura de Dona Eugênia Menescal Campos que assumiu o fabrico da cachaça por 13 anos, após a viúves. É dela o rótulo original da garrafa que se vende até hoje e a idéia de usar garrafas de 600 ml. Destacamos ainda o sino, que da fazenda foi enviado para a Paróquia de Santo Antônio de Pitaguari por Dona Eugênia numa promessa feita durante um incêndio na plantação de cana e depois retomado para a Casa Grande, originando a lenda, que ao se tocar o sino, casados se separam e solteiros nunca casam.
Na sala 04 (1924-1970), o uso de tonéis de bálsamo para armazenar a bebida, mudando a cor e o sabor durante a gradação, técnicas modernas de administração (exibidas em manuscritos da época) o uso do gazonênio (feito a base de cascas de árvore e carvão vegetal) durante a 2ª Guerra Mundial como combustível para os veículos da fazenda, fotos antigas de caminhões transportando tonéis e os diferentes rótulos utilizados pela Ypióca. Representa a industrialização e início da expansão da cachaça pelo Brasil e pelo mundo “Ypióca: Delicioso Whisky Nacional. Velho 10 anos”
E na última sala (1970- atualidade) estão expostas garrafas da Ypióca, destaque para a edição francesa (garrafa de cristal) e a consolidação da Ypióca como um grupo empresarial composto de 7 empresas no Ceará e Rio Grande do Norte atuando em ramos variados, como embalagens feitas do bagaço da cana, transporte e outras. São 20 mil funcionários diretos e indiretos.Éa modernização com responsabilidade social e ambiental.
Visita-se ainda a sala dos maquinários importados nos anos 40 dos Estados Unidos e Inglaterra (O primeiro trator importado a entrar no Ceará está lá), uma rápida passagem por uma instalação de canavial com som artificial de trabalho no corte da cana, passando pela sala da mitologia grega onde descobre-se a origem nome aguardente/cachaça (tipo de vinho feito da borra de uva desde os egípcios e gregos, finalizando pela visita aos tonéis de destilação da aguardente de 1968. A partir daí você pode ir até a lojinha e degustar à vontade.
Além dos carros de bois e engenhosde cana do período colonial na entrada do museu e do maquinário utilizado na época de funcionamento da fábrica na região (atualmente a produção é feita em Ceará-Mirim no interior do Rio Grande do Norte), vale tirar uma foto ao lado do maior tonel do mundo (8 m de altura e 7,5 de diâmetro, reconhecido em 2002 pelo Guiness book. (foto)
Essa visita não estava prevista no roteiro, mas valeu a pena. E antes que eu esqueça: cachaça e aguardente é a mesma coisa, o último é usado no rótulo das garrafas para dar requinte a popular,e agora mundial, bebida.
Para ir mais longe:
1. Livro escrito por Zé Leite, antigo administrador da fazenda : Ypióca – 1846-1996 – Sua História, Minha Vida;
2. Ypióca 160 anos. A saga de uma família. A história de uma paixão. O segredo de uma lenda.
ESPORTE DE AVENTURA NO PARQUE DAS TRILHAS
Bem pertinho do centro de Guaramiranga fica O Parque das Trilhas Ecoturismo. Lá opta-se por trilhas de 30´ ou 1 hora. Durante a caminhada pela Mata Atlântica, flores típicas como a pacavi e informações sobre pássaros nativos como o Pica-pau e o João de barro, além, é claro, do Guaramiranga (que na língua Tupi significa, “pássaro vermelho”). Fizemos a Trilha do Cipó e da Judite.
No fim das trilhas chega-se a área de aventura com opções de rapel, tirolesa, ponte de três cordas e caiaque.
Lá conhecemos o Tiago, guia do Parque, que “salvou a pátria”, nos alugou um quarto e conseguiu um banho pra gente. Gelaaaaaado.
A APAIXONANTE GUARAMIRANGA
Guaramiranga, 110 km de Fortaleza é uma cidade pequena e acolhedora. São aproximadamente 6 mil habitantes dentro de uma Área de Proteção Ambiental. A maioria constrói suas casas na subida dos morros.
No passado foi uma das primeiras cidades brasileiras a produzir café e acolheu muitosrefugiados das grandes secas do sertão brasileiro do século XVIII. Atualmente, o turismo tem se consolidado como principal atividade econômica da região. Os eventos culturais se sucedem durante o ano inteiro: Festival de Jazz e Blues, em fevereiro; Guaramiranga em Férias, julho; Festival Nordestino de Teatro, setembro; Festival de Gastronomia, outubro; Festival de Vinhos, novembro; Guramiranga: Natal, Luz e Festival da Cerveja, em dezembro.
Além disso, belas paisagens, muitas flores, bonsrestaurantes (comida francesa, italiana e alemã), pousadas aconchegantes, e um cenário cultural que remonta ao século passado quando as famílias tradicionais de Fortaleza encenavam peças e organizavam recitais enquanto veraneavam na cidade, como relata Rachel de Queiróz em uma de suas obras, fazem de Guaramiranga uma cidade aprazível e romântica. Simplesmente apaixonante.
O evento de grande porte é organizado pela “Via de Comunicação e Cultura” e “Diário do Nordeste”, com apoio dos governos federal, estadual e municipal e patrocínio de grandes empresas. A direção é de Maria Memede e Rachel Gadelha que coordena uma equipe de mais desetenta pessoas.
A programação do evento está distribuída pela cidade com apresentações gratuitas e paga, no Teatro Rachel de Queiroz (400 luga
res, com p
reços salgados, direito à meia-entrada com carteira de estudante); Quadra Municipal; escolas e ruas da cidade.
Durante o festival rolam ensaios abertos com os principais convidados do evento,
shows de novos talentos, as imperdíveis Jam Sessions que começam meia-noite na Quadra Municipal, oficinas e bate-papo com músicos consagrados e os cortejos, geralmente às 17 horas que levam boa música e diversão pelas ruas da
cidade.
Esse ano o festival homenageou Dominguinhos, mas a programação esquentou com as presenças de César Camargo Mariano; Ná Ozzeti; Arthur Maia, Dixie Square Jazz Band, Paulo Meyer (pioneiro do blues no Brasil), Lanny Gordin, Beale Stret, Timbral e Toots Thielmans.
Além disso, pelos cantos da cidade era comum se esbarrar com uma galera fazendo um som casual de primeira.
Fotos: Novos Talentos da Ong Verde Vida (Crato-CE); Timbral (CE); galera na rua fazendo um som e Jam Seassion (Jeferson Gonçalves (CE) na gaita e a guitarra do Beale Street do RJ )
Na estrada a muito tempo, a cantora e compositora paulista é da mesma safra que Tetê Spindola e Itamar Assumpção. Também participou e ganhou uma edição do Festival da Música Brasileira promovido pela Rede Globo em 2000. “Dona de um timbre de voz inconfundível, ela canta com o corpo e com a alma”. Como pude demorar tanto para conhecer “a voz”. Noensaio aberto, estendido por cortesia, no show sofisticado, o repertório de Carmem Miranda, Ary Barroso, Rita Lee, Itamara Assunção, parceria com Zélia Duncam, imperou o requite. Do seu rico e variado repertório indico a faixa Capitu que fechou sua apresentação no festival. Valeu a pena viajar tanto para curtir o show e conhecer de perto esse encanto de pessoa.(Foto: Sérgio Reze, Marcus Saldanha, Ná Ozzeti, Ângela Galvão e Mário Manga)
O DOCE GOSTO DE UMA SAUDADE
O regresso foi pelo lado inverso da serra do baturité, passando pelos Jesuítas, em Baturité, Redenção (onde vistamos o inesperado Museu do Negro Liberto, Tianguá, Viçosa (com paradinha tradicional na Casa dos Licores), almoço na churrascaria Canaã, na estrada de Brejo até São Luís.
Saímos de Guaramiranga com o doce gosto de saudade e um chocolate quente a mais para aquecer o coração, o corpo e a mente para que permaneçam são até o ano que vem.(Foto: Empório do Chocolate no centro de Guaramiranga)
Na visita aos Jesuítas, 14 km de Baturité conhecemos um pouco da história da Companhia de Jesus no nordeste do Brasil.
Construído a partir de 1922 no antigo sítio Olho D´agua no então decadente município de Baturité, com pedra fundamental do Colégio Jesuíta colonial de Aquiraz, o prédioinaugurado em 15 de agosto de1927 serviu como escola apostólica formando religiosos até recentemente.
Em 1933 recebeu a visita de Getúlio Vargas, por motivo da seca de 1932. Nesse mesmo período respirou ares do integralismo brasileiro. Sofreu com a crise financeira oriunda da Segunda Guerra Mundial, pois muitos pais não puderam pagar a anuidade dos estudos de seus filhos, em torno de mil contos de réis e viveu a polêmica na imprensa cearense ebrasileira na ocasião de sua construção, devido ao lugar e a admissão de alunos que a princípios seriam brancos e de boa aparência, orientação que foi mudada antes de ser colocada em prática.
Além do prédio vale a pena visitar a capela, com destaque para o mural dos 40 mátires jesuítas mortos na época dos Descobrimentos Portugueses, beber da água de Santo Inácio e conhecer um pouco da história dos jesuítas, com imagens e biografias expostas nos corredores do colégio.
Atualmente é utilizado para retiros espirituais e atende hóspedes com reservas atencipadas.
Para ir mais longe:
O xerocado do Doutor em História da América Latina pela The Catolic University of America: A Missão Portuguesa da Companhia de Jesus no Nordeste (1911-1936). Pe. Ferdinand Azevedo. Recife. Fundação Antônio dos Santos Abranches-Fasa.1986.
O MUSEU DO NEGRO LIBERTO
A 50 kilômetros de Fortaleza, outra inesperada surpresa, Museu Senzala do Negro Liberto, as margens da CE-060, em Redenção. No Engenho Livramento, encontramos uma Casa-Grande com senzala no porão preservada desde o século XVII e o engenho de cana-de-açúcar onde ainda hoje é fabriacada a aguardente Douradinha.
A cidade, carrega a fama de ter libertado seus escravos cinco anos antes da abolição
de 1888 pela princesa Isabel. Evento que contou com a presença de nomes como o de José do Patrocínio em 1883.
Na fazenda, a cachaça Douradinha foi produzida pelos escravos a partir de 1873, continuou com os libertos e se modernizou com o engenho a vapor que funionou por 13 anos desde 1913.
Atualmente, o engenho industrial funciona na época da safra da cana-de-açúcar no Ceará, no período de agosto a dezembro e ainda produz de 8 a 15 mil litros de cachaça.
Mais o que vale da visita é a Casa Grande e a Senzala. Na exposição com instalações simples e pouco estrurada, Vê-se objetos inusitados como a cabeça de boi de 1959 utilizada pelos coronéis para guardar a cachaça e um grande acervo histórico tais como, caneta bico depena com a escritura das terras da fazenda de 1885 vendida após a bolição e escravos na região, o piso de mosaico português original do século XVII, instrumentos de suplícios, gargalheiras (utlizadas a partir das 5 horas da manhã, quando tocava o sino para início do trabalho, instrumento odontológico utilizado para tortura, cristaleira e um quarto com mobília de 1930, e uma cozinha com um fogão a le
nha onde uma escrava teria sido queimada viva.
Nada como estar no local dos fatos. A sensação dentro de uma senzala é de angústia. Não havia banheiros (faziam as necessidades em folhas de bananeiras, dentro da senzala), iluminação, nem local para dormir. Anda-se por dentro agachado e iluminado por uma lanterna da guia. Além dos objetos de suplício, impressiona o local da solitária. Mal cabe uma pessoa. Chocante também um local com três gargalheiras onde segundo a guia, colocava-se pai, esposa e filho por duas horas para que a disciplina e o medo fosse passado para a família inteira.
Após a Lei Eusébio de Queiróz em 1850, que extingui o Tráfico Negreiro, escravos da canela fina eram escolhidos para a reprodução de novos escravos. Na visão dos Senhores
, estes eram mais aptos ao trabalho. Nessa condição, esses escravos ganhavam tratamento diferenciado, mas não justo.
Interessante também, visualizar a senzala das Mucamas. De 6 a 8 na fazenda, viviam separadas dos demais para não contaminar a família com piolhos e doenças. Nela vê-se uma janela (por onde supostamente os senhores a escolhiam para amasiar e uma portinha por onde eram levadas para dentro da casa.
Entre o piso da Casa e a senzala as Mucamas passavam açúcar para calar a boca dos bebês que choravam durante à noite e corriam o risco de serem castigadas pelos amos.
Pode-se ver além do maquinário, da Casa Grande e da Senzala as plantações de cana-de-açúcar que em outros tempos, na época da antiga vila de Acarape (que significa “cala a boca), tinha um gosto amargo de dor, crueldade e humilhação de um povo. Mas hoje, em Redenção vira momento de reflexão do que nós seres humanos já fomos capazes de fazer com o nosso semelhante.
Dizem por lá, que Ceará Terra do Sol, remete à liberdade conquistada cinco anos antes da abolição oficial. Gosto mais ainda dessa luz do Ceará agora.
Desde 1960 aCasa dos Licores, em Viçosa interior do Ceará, no alto da serra da ibiapaba produz “artesanato alimentar”. São licores, cachaça velha, petas, bolinhos, sequilhos, balas, compotas, doces e geléias. São 54 sabores de licor feitos à base de frutas e ervas (sugiro os especiais de pétala de rosas, mel echocolate).
Impossível não se sentir em casa com a hospitalidade de Dona Terezinha que pela lateral da casa nos convida a entrar pela cozinha onde tudo é feito e adentrar pela a sala onde pode-se experimentar umpouco de tudo à vontade, ouvindo Seu Alfredo tocar seu pife, e com muita sorte, acompanhado de sua filha Tereza Cristina no vocal. (Momentos raros que devem ser desfrutados plenamente).
Pela terceira vez, passando pela casa de Seu Alfredo, pergunto a jovem atendente da casa:
- Como é a vida em Viçosa do Ceará?
A jovem atendente pergunta: - Você faz o quê?
- Sou professor, respondo.
- A vida aqui é muito boa.
O clima é gostoso e vai ter concurso para professor no Ceará. Li que o deputado petista Arthur Bruno tenta aprovar um projeto na Câmara para que além da prova escrita os professores sejam submetidos a prova didática.