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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Primeira Sinagoga Israelita das Américas

Sinagoga na antiga Rua dos Judeus. Foto: Marcus Saldanha
A sinagoga Kahal Zur Israel fui a primeira das Américas e funcionou na cidade de Recife entre 1636-1654, durante a presença holandesa e representa o principal marco da presença judaica no Brasil. Desde 2001 o espaço sinagoga foi reconstruído para abrigar o Centro Cultural Judaico de Pernambuco, aberto diariamente para visitas.

Sinagoga no segundo andar mantem tradição judaica em Pernambuco. Foto:Marcus Saldanha 
História - Os primeiros judeus desembarcaram em Pernambuco no ano de 1537, muitos converteram-se ao cristianismo batizando-se cristãos-novos, outros passaram a ser perseguidos por representantes da Inquisição principalmente a partir de 1593, com a chegada do visitador do Santo Ofício. Porém com a chegada dos Holandeses na primeira metade do século VII e a extensão da tolerância religiosa a Pernambuco em 1629, os judeus gozaram de liberdade, construindo casas, praticando o comércio e cultos judaicos.
Torá: escrituras sagradas para os judeus. Foto: Marcus Saldanha

Neste período muitos judeus portugueses-holandeses pediram transferência da Europa para o Brasil Holandês. Aqui unificaram as duas congregações existentes e formaram conselhos institucionais (Maamad) com eleições regulares documentadas em português, seguindo o calendário de festividades judaico.

Entre 1645-1654 os conflitos pela expulsão dos holandesas e posterior derrota torna a presença judaica em pernambuco inviável. Muitos retornam para a Holanda, outros fogem para o sertão nordestino ou migram para o Caribe e Nova Amsterdã (atual Nova York, onde fundam a maior colônia judaica nas Américas).

Visita - Além de conhecer um pouco das tradições e rituais judaicos,  incomum na maior parte do Brasil, o visitante pode compreender os conflitos religiosos e políticos no Brasil Colônia através de documentos, painéis e artefatos arqueológicos em exposição. A antiga rua dos judeus hoje é chamada de Bom Jesus e fica no Recife Antigo. A entrada custa 6 reais e aceita carteira de estudante.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Recife Antigo

Marco zero da cidade de Recife
Um passeio a pé pelo bairro do Recife, o antigo Arrecife dos Navios, ou como é popularmente conhecido hoje, Recife Antigo é uma viagem no tempo: o passado colonial português visível nos casarões e igrejas e as marcas da presença holandesa e judaica. Mas pode ser uma sintonia com o futuro: grafites contrastando com a ruína dos casarios, o parque das Esculturas de Francisco Brennand e o Paço da Alfândega que abriga um moderno shopping center dentro da estrutura histórica que antes servia de entreposto comercial e cobrança de impostos.


Rua do Bom Jesus, antiga rua dos Judeus. Foto: Marcus Saldanha

Ali também estão situados o prédio moderno da prefeitura do Recife, o Forte Brum/Museu Militar, Centro Cultural dos Correios, o Instituto Santander Cultural, a Igreja da Madre de Deus, Embaixada dos Bonecos Gigantes, o Terminal Marítimo de Passageiros, a Torre Malakoff e a Sinagoga.

Não podemos dizer que tudo está em perfeita harmonia, até porque o caos faz parte da atmosfera criativa da cidade, vide o Mangue Beat de Chico Science lembrado numa estátua na Rua da Moeda onde ficam os bares da região ou os trilhos de bondes aparentes nos paralelepípedos, automóveis cobrindo a fachada dos casarões, guardadores de carros, buzinas, azulejos portugueses, ruínas..

Grafite na ruínas de um casarão colonial. Foto: Marcus Saldanha

 A pé e de dia o passeio histórico e cultural está garantido, embora à noite a boemia se encontre nos bares e no São João atrações gratuitas dão vida a região de quinta a domingo. Bem sinalizado e um pouco descuidado o Recife Antigo espera a revitalização urbana e cultural que merece.